Surrealidades 4

O abraço faminto devorou o frio

 

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Surrealidades 3

Crianças colhem oceanos

semeados por deuses mortos

Outra Língua

 

Ele escreve o que não consegue falar
Em seu coração tanta solidão e medo

Palavras capturam os sentimentos que o aprisionam
Escrever é a única coisa que ele pode fazer
Não há para ele ilusão de controle
Palavras o aproximam da Criação

Elas dançam em seus pensamentos
Tentando dar sentido a um Mundo caótico
Tentando dar sentido a um espírito caótico

Assombrado por tantas ausências,
palavras são o que carrega com ele

Seu coração,
inundado de sentimento não correspondidos,
carrega sombras sem nome

Ele escreve o que não consegui dizer
Tenta transformar o Mundo em palavras,
mas a vida é uma língua estranha,
sem léxico,
que ele não entende

Surrealidades 2

O arco-íris vazou pelas frestas da tempestade.

 

 

Surrealidades 1

Dançando,
ouvindo canções
que chovem
entre lágrimas
de estrelas
tristes

 

Irreal

Ao amanhecer ele não sentia-se real
As noites eram sempre breves
o sono era sempre intranquilo

Havia,
num canto de sua alma,
um desejo de fuga
Mas não havia para onde ir

Seu coração sabia que jamais acharia um lugar
Sabia que sempre seria um animal estranho,
uma criatura acuada

Todos os dias eram vividos com um medo sem nome
Tristeza aguda espreitando nas sombras de seu espírito

Enquanto andava nesta terra estranha,
sua máscara de normalidade trincada no rosto,
era sempre um estrangeiro em sua própria vida

Quadrinha

A cada dia que se vai
o esquecimento é uma ameaça,
mas meu teimoso coração,
todos os dias em ti se enlaça